PSB espera definição de Ex-ministro Joaquim Barbosa.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), disse que o ex-ministro do
Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa “precisa se apresentar”, pois “o povo
não vai eleger um presidente sem conhecer suas ideias”. O PSB ainda aguarda a
definição de Barbosa, que se filiou ao partido e poderá ser o candidato da legenda
na disputa pelo Palácio do Planalto.
Herdeiro político de Eduardo Campos, o governador pernambucano tenta atrair o
PT para uma aliança em torno de sua futura candidatura à reeleição. Segundo ele,
os projetos regionais do PSB não impedem uma candidatura própria à Presidência
da República. Câmara concedeu entrevista ontem (4) em um hotel da região sul de
São Paulo.

O PSB saiu do seu congresso (em março) com três entendimentos: candidatura
própria, alianças com partidos de centro-esquerda ou liberação nos Estados para
apoiar candidaturas próprias. Nesse contexto apareceu a filiação do ex-ministro
Joaquim Barbosa. Ele está muito consciente das bandeiras das quais o PSB não
abre mão. Há ansiedade em muitos setores do partido em resolver logo isso, mas
há um movimento acertado de esperar um pouco mais. Existe um tempo político e
eleitoral. Vamos definir isso nos próximos 60 dias. Pode haver alguns setores que
acham que está muito silencioso.

Ele sempre foi um ministro com uma visão de justiça social. Passa a impressão de
que tem determinação de fazer o que precisa ser feito, mas precisa se apresentar.
Se for caminhar para uma candidatura será muito questionado. Vai ter que dizer o
que pensa em relação ao Brasil. O povo não vai eleger nenhum presidente sem
conhecer suas ideias e ter um mínimo de confiança.
O que acha das ideias dele para economia?
Ele sabe da necessidade de reformas, tem preocupação com desenvolvimento
social, desigualdade social.

Temos que respeitar o tempo que ele pediu. É óbvio que, se tiver a candidatura, ele
vai ter que expor e falar. Não se faz campanha eleitoral sem estar nas ruas. Nós
também não podemos sair com uma candidatura própria sem conversar com os
campos com os quais nos identificamos, de centro-esquerda. Precisamos de uma
estratégia para o 1.º e 2.º turno.
No plano regional, o PSB procura o apoio do PT. No nacional, o candidato
pode ser o ministro que foi relator do mensalão que condenou a cúpula do PT.
Uma eventual candidatura do Barbosa pode atrapalhar seu plano regional?
Temos uma ampla aliança em Pernambuco. Sempre houve a possibilidade de
termos palanques variados, mesmo com candidatura própria. Passamos por isso
em outros momentos.

Geraldo Alckmin (PSDB) esteve muito próximo do PSB, mas a aliança com ele
não prosperou.
A gente tem muito respeito pelo ex-governador. Tivemos uma convivência muito
boa. Em São Paulo o PSB é aliado dele. Mas o Brasil é grande e o partido tem um
programa de governo. Muitas bandeiras que Alckmin defende, o partido discorda.

As reformas, por exemplo. Não defendemos a reforma da Previdência que foi
exposta pelo governo federal e o ex-governador Alckmin defendeu.
Que reflexo terá a prisão de Lula na campanha presidencial e na disputa em
Pernambuco?
Não tenho opinião formada. A própria decisão do STF sobre a prisão do Lula foi
dividida, 6 a 5. Há muita divisão no País, mas a população nordestina tem muita
solidariedade e gratidão (ao ex-presidente). Isso pode pesar nas eleições de 2018.
Como avalia a estratégia do PT de manter a candidatura do Lula, mesmo
preso?

O ideal era que todos os partidos e forças políticas de centro-esquerda
conversassem mais e tivessem uma estratégia que pudesse resultar em uma
candidatura única ou aliança no segundo turno. Estamos dispostos a dialogar.
Temos até julho para discutir isso e ver a melhor estratégia.
Como ficou a relação do PSB com Marina Silva?
O afastamento veio da própria Marina, e não do PSB, que sempre está aberto a
conversar com ela. A Rede participou do meu governo por três anos com pessoas
próximas a Marina, em pastas importantes, como o Meio Ambiente. Ela
simplesmente se afastou do PSB, especialmente em Pernambuco, onde tinha uma
identificação muito grande comigo e com a família de Eduardo Campos.
Infelizmente, a política tem isso. A gente só quer estar junto de quem quer estar
junto de nós.
Como foi sua relação com o governo Dilma e agora, com o governo Temer?
A relação foi difícil com Dilma. Já éramos oposição em 2015. Ela quis fazer um
ajuste naquele ano sem consequências que paralisou o Brasil. É muito difícil, de
uma hora para outra, sem planejamento, parar com os investimentos federais. O
governo Temer tem prioridades totalmente contrárias ao que a gente entende que é
melhor para o Brasil. Isso gera muito conflito

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